Assalto ao Banco Central

Posted on 28/07/2011

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(Assalto ao Banco Central, 2011)

Depois de passar pela maior cilada com o filme do Bruno Mazzeo, Assalto ao Banco Central, entre erros e acertos, foi um grande alívio.

O filme conta uma versão fictícia baseada no assalto real ao Banco Central do Ceará, considerado o 2º maior assalto a bancos do mundo. Para começar, Assalto ao Banco Central não deve ser encarado como um filme de ação. Tão pouco, como um filme de suspense, já que sua narrativa faz um retalho do passado distante (o planejamento do assalto), o passado próximo (a investigação) e o futuro (quando alguns dos criminosos já foram presos). Com isso, restam poucas surpresas e praticamente nenhum suspense à história. Nesse ponto, o filme se distancia bastante dos seus similares norte-americanos, como Onze Homens e Um Segredo. Resta encará-lo como primo pobre destas superproduções americanas.

Ainda assim, o filme consegue ser divertido e agradar. Pelo menos a mim, que me diverti vendo a realidade brasileira retratada nas discrepância entre os personagens brasileiros e comparando-os aos seus equivalentes internacionais. Comparando ao “Onze Homens”, no lugar de George Cloone, o cabeça da equipe, temos um Milhem Cortaz linha dura, que usa o medo no lugar do charme para fazer valer sua vontade. No lugar do carismático Brad Pitt, Eriberto Leão faz o papel de Mineiro, um malandro trambiqueiro cujo papel é meio incerto, já que no fim ele nem tem tanta lábia assim. E pobre da nossa Julia Roberts, encarnada por Hermila Guedes, uma verdadeira perua mulher de malandro, sem um pingo de finesse.

O elenco “de apoio” acaba sendo, na verdade, bem mais interessante, caricato e engraçado. Tonico Pereira faz o papel de um engenheiro comunista, e sua rixa com Gero Camilo, que faz o Tatu, é responsável por grande parte do humor do filme. O outro responsável é Vinícius de Oliveira, que no passado fez o garotinho de Central do Brasil ao lado de Fernanda Montenegro, e aqui faz o papel de um atrapalhado gay evangélico. Na caça ao bando de criminosos se encontram Lima Duarte e Giulia Gam, que muito mais do que contar com uma forma brilhante de investigação, contam mais com o azar e amadorismo dos bandidos, o fator “brasileiro pobre” deles de sempre se dar mal no final da história, salvo raras exceções.

Longe de ter a qualidade e o impacto de um “Tropa de Elite”, Assalto ao Banco Central é uma opção nacional muito melhor que as últimas comédias brasileiras que chegaram às salas de cinema.

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